Segunda: nada. Terça: nada. Quarta: nada. Quinta: nada. Sexta: boemia ou nada. Sábado: boemia ou nada. Domingo: nada.
- Você nunca tem nada a fazer?
- Não. Eu sempre tenho nada a fazer.
- Então o que você faz quando tem nada a fazer?
- Nada.
- É nada nada assim mesmo?
- É.
- Mas o que você sente quando faz nada?
- Eu não sinto nada.
- Ah, é sério isso? Alguma coisa você deve sentir...
- Tá, eu sinto tédio, mas isso é quase nada.
- Nenhuma outra coisa?
- Não, só tédio, que não serve de nada.
- Entendi. E como é fazer e sentir quase nada?
- É corajoso. Mas, de verdade, é o círculo vicioso do nada.
- Círculo vicioso do nada?
- Exatamente. É que fazer nada sempre vai te levar a fazer cada vez mais nada.
- Ah. Então vamos fazer alguma coisa!
- Alguma coisa que não seja nada porque nada eu já faço sempre.
- Mas nada não é somente nada?! Se é alguma coisa não é nada.
- Ah não. Nada vai precisar ser alguma coisa.
Porra...um puta texto. Sempre invejo você, Chiquinho.
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