Já levei grandes socos da vida num tempo de vida que ainda é jovem. Entretanto, eu ainda devoto fé na poesia. Estou descobrindo as coisas que não funcionam para mim, mas dentro de toda a gama de transgressões possíveis, sei que ali habita uma verdade adormecida. Ter ao meu redor uma realidade planejada, calculada, óbvia, me assusta e me faz perder todas as esperanças. Talvez seja o momento em que as revoluções devam ser mais poéticas, líricas, que tragam consigo uma mensagem de inteligência e que vá muito além de um ódio brutal e violento. Estou farto de abrir o livro de história e me deparar com o mesmo cânone de guerras, revoltas sangrentas, de golpes de estado injustos e de mentalidades não fraternas, cruéis. Assim como estou farto de ver o noticiário e me deparar com a repetição dessas mesmas crueldades. Conheço o poder de uma boa lição de poesia como quando o céu nos abraça em chuva e deixa tudo mais vivo, frutífero. Ou como quando no caminho tortuoso do amor encontramos uma flor que nos lembra da grandiosidade do valor grandiloquente da poesia.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Devaneio: primeira tentativa de salvar o mundo - parágrafo.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Urgências paralizantes.
Outro dia, ao passar por um acidente entre um ônibus e um carro, via-se o carro retorcido de cabeça para baixo, o aço bruto comprimido no chão como se fosse palha, as ambulâncias já piscavam em volta, a vidraça da frente do ônibus completamente quebrada e o clima perturbador daquele ambiente que nos cercava. As vítimas estavam perturbadas, uma mulher ferida no braço que estava sentada na calçada desesperadamente ligava para alguém e a multidão de transeuntes, permanecia inerte. Havia sangue misturado a gasolina - aquela cena toda me perturbava extremamente - os feridos sentados na calçada em prantos. Ao passar por ali, exatamente naquela hora, a vida me pungiu com vida. Ela me feriu no peito com aquilo que ela - em sua substância - é: essa perturbação lancinante. Na hora, não esbocei sequer reação, fiquei sem feições diante do acidente porque eu também me tornara um ferido-sentado-na-calçada-desesperadamente. Meu sangue havia se misturado a gasolina e por alguns instantes eu me tornei irreconhecível, ali, à minha frente, a vida ria nua e satírica de todos nós, como ambígua, gritante, desesperadora, incurável, que ela é.
Era quase meio-dia e o sol tornava visível cada centímetro daquele acidente. E eu ali, parado no trânsito, com uma estaca da vida atravessada no peito. O que eu poderia fazer, senão ficar inerte? O que eu poderia fazer na minha medíocre condição de alguém? Nada. A verdade é esta e faz parte do riso da vida: nada eu poderia ter feito. Cheguei depois e ainda que chegasse antes. Não possuo o controle remoto dos acontecimentos. Aquele momento era de conteúdo crítico, não era apenas um acidente, fazia parte do ciclo da vida de venturas e de gritos.
E a mulher, sentada na calçada com o braço ferido, nunca mais deve ter sido a mesma, eu não consegui me manter o mesmo. Entre o desespero total e uma certa calma desesperada, a vida nos havia furado a pele e bebido o nosso sangue, de modo que agora, ela com o telefone celular no ouvido e eu preso no trânsito, estávamos igualmente vampirizados.
sábado, 10 de dezembro de 2011
I can't take my eyes off you para Adriana Coelho
Ao contrário do que te disse no final de 2010, sinto para 2012 ótimos acontecimentos, realizações, felicidades, principalmente nas partes pessoais e amorosas. Estou mais bem resolvido com o futuro, minha intuição está certeira, guiando-me na direção correta. Apesar dos obstáculos, o Chico intenso, romântico, caloroso, sentimental, que gosta de abraços apertados, de felicidades plenas, crítico, ciente do seu valor, que adora bem tratar as mulheres e que busca as alegrias supremas está intacto. Tinha que me ver fazendo compras no shopping, era o Chico em seu estado puro. Mas esse ano não foi feito só de obstáculos, muitos acertos eu fiz, conheci as pessoas certas que me valorizam e que me tratam tão bem.
Você, querida, faz parte dessa felicidade plena que citei acima. Desde 2007. Contar-te tudo não é nenhum esforço pra mim, mas consultar alguém que admiro, amo, considero e respeito. You can’t your eyes off me, né? Pode continuar, eu adoro seus olhos. Sua visão. Sua intuição. Vamos vencer porque veja o quanto já vencemos. Não estamos num lugar ordinário, medíocre, estamos no lugar que fizemos por onde. Por isso que eu continuo acreditando em você e se você, em algum momento, desacreditar de si mesma, eu estarei acreditando. Te amo.
Carinhosamente,
Do Seu Chico.